segunda-feira, 14 de outubro de 2013

ESTÓRIA - URSA PROSTITUTA

          Lama respingada nos vidros da janela ao lado da cama , lençois
sujos de líbidos,fios ruivos embaraçados,o chão sujo como o da rua,bitucas
e cinzeiros pela casa , latas e garrafas de varias cores montam o cenário
miserável da moradia de uma vagabunda . 
          Sutiã rosa cheio de rendinhas brancas combinando com a calsinha,
cara de acabada, maquiagem borrada e chupões no pescoço , cabelo vermelho
e encolhida como uma concha chupando o próprio dedo de esmalte descascado,
uma xícara de café gelado e um hilton inacabado na cabeçeira da cama ,uma
camisinha cheia fechada num nó sobre um livro de romance aberto. O celular
toca com a voz de madonna num choro , seus olhos se abrem para a realidade
que tanto odeia lhe tirando do sonho que podia ser real,ergue a mão e des
liga o alarme tristonho de voz feminina , apoia as mãos sobre o lençol lí
bidinoso e passa os dedos sujos dos olhos a boca , segurando a asa da xí
cara fria deu dois goles e cospiu no chão ,desceu da cama sonolenta pisan
do no café cospido, em direção ao banheiro fez pegadas no piso até o chu
veiro,abrindo o registro e enfiando a cabeça por baixo d'água até molhar
a roupa intima e se ensopar , ficou alí olhando a lama de seus pés escor
rendo junto a água limpa que lavava só por fora , pensando no que fez e
no que sempre faz até finalmente chorar como todas as manhãs .
          Hora da droga fluir no sangue , é quarta-feira ela se injeta e
saí pra esquina na frente de casa , vestida como uma puta para ganhar a
proxíma picada salvatória , acende um dois cigarros nenhum cliente dia
difícil acabou a heroína , tem cinco reais no bolso da saia de couro e
o ultimo cigarro que ofereceu pro santo antes de fumar , " a pomba ajuda
as prostitutas . " dizia ela quando pensava em deus , sem comer a sete ho
ras faminta masca o chiclete sem gosto na esperança de um programa . Com
pra um vinho de quatro e oitenta e vai perdendo a fome a cada gole , já
bêbada avista Sr. Alfredo marido de Valdete três casas depois dalí , ele
tem grana e também um pau pequeno , perfeito . - Quanto é hoje Ursa ? dis
se o Sr barrigudo de quarenta e cinco anos pai de três fihos pequenos .
- Cinquentinha . Disse drogada e bêbada . Estendeu-lhe a nota com a onça ,
ela pegou olhou na luz do sol se era falsa , chamou o cliente para seu in
ferninho precário,levantou a saia e abaixou as calças dele , ele pagava
bem porque não usava camisinha,cinquenta reais eram só trinta ganhos, vin
te eram da pirula do dia seguinte .
          Trinta reais da heróica heroína com Bernardo traficante da outra
esquina ,tinha crack também mas sua parceira já havia dado exemplo do que
acontece nessa droga,hoje ela mora debaixo duma via expressa com um cober
tor,latinhas e um marido usuário que arranjou . Trinta contos dão dois pi
cos pequenos em três a quatro horas até acabar o efeito , nesse tempo en
torpecida fazendo trabalhos sexuais tira de duzentos a trezentos reais por
dia , dinheiro que some das mãos dela por drogas legais e ilegais . Jorge,
Adalberto , Evaldo , Rogério , Francisco , Naldo , Vandison , fim do dia ,
trezentos e cinquenta reais dia de sorte , tem pico , cigarro , bebida e
até comida , comprou os brincos dourados enormes que tanto queria .
         Úrsula Sophia Ferreira , mais conhecida como Ursa , prostibula
da esquina de Queiróz de sete as sete por cinquenta reais sem beijo , 28
anos começou aos 14 , tinha um tio em Sergipe e um filho em Brasília que
foi morar com o pai , viciada e sem fundamental completo sempre teve pro
blemas estomacais por causa de alcoólicos e bronquite genética adquirida
atravez do tabaco , morreu ano passado ...

          - Overdose mental por desgasto emocional . Disse a polícia .




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